As origens das cartas do Tarô, ou seja, quem as teria imaginado, onde, quando e com que objetivo, ainda são muito vagas e obscuras, a despeito de inúmeros livros e artigos que vêm ao longo do tempo tentando iluminar as trevas que lhes circundam. O encanto das cartas é mantido não apenas pelos livros sobre ocultismo bem intencionados e corretamente formulados, mas também pelo fascínio que elas continuam exercendo sobre as pessoas em geral, contrariando as centenas de tentativas por parte dos críticos e céticos que incansavelmente tentam dar ao Tarô uma imagem caricatural, relegando-o aos planos mais inferiores e cômicos da adivinhação, comparando-o à bola de cristal, por exemplo. De qualquer modo, independente da sua origem, as cartas do Tarô vêm prendendo a atenção dos homens por aproximadamente 500 anos, e possivelmente prenderão ainda por muito mais tempo.
 
O que será que possuem essas estranhas cartas que continuam a exercer tal fascínio, até mesmo em pessoas que se consideram refratárias e resistentes aos mistérios ocultos? Na realidade as cartas do Tarô não são ocultas, ou seja, não são sobrenaturais ou mágicas no exato sentido da palavra. Também não são propriedades exclusivas da iniciação esotérica, embora os estudiosos do Tarô quase sempre o consideram dessa forma. Existem algumas evidências de que na metade do século XV – época em que os estudiosos acreditam que as cartas começaram a aparecer na Europa – o Tarô era disponível a todos aqueles que pudessem comprar um baralho e tivessem interesse em desenvolver seus mistérios.
 
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O Tarô Mitológico é representado por cartas desenhadas com imagens dos Deuses Gregos, tão amados pelos artistas e escritores da Renascença, que, por sua vez, contribuíram muito para a formação cultural da vida ocidental.  Os deuses gregos não são propriedades exclusivas de nenhuma escola esotérica, doutrina religiosa ou seita espiritual. Permanecem como as imagens mais precisas e fundamentais para descrever os muitos ângulos e as inúmeras nuanças que operam na psique humana. São símbolos da natureza humana, nossa própria natureza, com sua profunda ambivalência de corpo e alma e seus impulsos com relação à auto-realização e à inconsciência.
 
Contudo, as cartas do Tarô poderão se apresentar diante de nós como altamente assustadoras ou mesmo profundamente perturbadoras. As ligações entre os fatos de nossa vida cotidiana e o Tarô não existem porque as cartas sejam mágicas, mas sim porque há um significado associado. Freqüentemente, deparamo-nos em diferentes níveis e em diferentes momentos da vida e dessa maneira sempre haverá uma carta do Tarô que poderá descrever cada uma delas e que irá aparecer misteriosamente num jogo, sem qualquer motivo aparente, para esclarecer e orientar sobre o melhor caminho a ser seguido, com a finalidade de viver uma vida mais consciente e tranqüila. A clarividência e outras manifestações paranormais não são pré-requisitos para uma consulente sensível, mas representam na verdade as correntes de forças que atuam em nossa vida e que são refletidas pelas imagens das cartas do Tarô.
 
(Fonte: SHARMAN-BURKER, Juliet; GREENE, Liz; O Tarô Mitológico – Uma nova abordagem para a leitura do Tarô)
 

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